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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS CRITICA A FORÇA DO QUERER


Por meio de uma nota pública postada no Facebook, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais fez algumas críticas à novela A Força do Querer, que ocupa, atualmente, a faixa das 21h da Globo. Escrito por Glória Perez, o folhetim tem abordado diversos temas bem atuais, inclusive envolvendo identidade de gênero, por meio dos personagens Ivana (Carol Duarte) e Nonato (Silvero Pereira). “A Associação Nacional de Travestis e Transexuais ANTRA, existe desde os anos 90 e possui 190 instituições afiliadas em todo o Brasil e espalhadas nas cinco regiões do País.

Como a maioria dos brasileiros, a nossa população de pessoas trans, aqui leia-se: Mulheres transexuais, travestis e Homens trans, também assiste novelas, especialmente A Força do Querer por trazer na trama, personagens que retratam muitas das nossas realidades, falamos aqui das personagens que lidam com a temática das identidades Trans. Sabemos que as novelas são obras de ficção, porém as novelas interferem na realidade, quando levam para a casa das famílias brasileiras debates importantes para a sociedade, tornando-se mais que uma obra de ficção, mas importante canal de informação.

Foi assim com Malu Mulher que trouxe a temática da mulher e a igualdade de gênero, Barriga de Aluguel que retratou a inseminação artificial e tantas outras. A novela em tela, tem prestado um relevante serviço quando aborda a questão da transmasculinidade vivida pela personagem Ivan/Ivana, e tem prestado grande serviço de informação acerca da temática. Porém tem deixado a desejar quando a identificam como transgênero.

No nosso entendimento a personagem é um homem Trans, inspirada na obra do escritor, homem trans, João W. Nery. Agora quando se refere a Travestis a novela se perde numa profusão de diálogos e conceitos que não ajudam em nada essa população e acaba complicando ainda mais o trabalho que temos desenvolvido ao longo de anos, que é o de tirar o estigma que esse termo representa.

O conceito tão mau empregado no Aurélio e que nos elimina enquanto identidades politicas, do campo das feminilidades”, foi um trecho do texto postado pela organização, na rede social. “Travestis e Mulheres Transexuais tem identidade de gênero feminina, homens Transexuais tem identidade de gênero masculina. Ou sejam não se reconhecem pertencentes ao gênero atribuído no nascimento. Travestis não representam uma coisa que ela não seja, ela não é um falsete como a novela mostra nalguns diálogos, especialmente quando é associada com a identidade gay, o que também não é correto, pois gay é uma identidade masculina.

Travestis vivenciam sua Travestilidade socialmente, diariamente, 24 horas por dia, não nos “vestimos” a noite para vivenciar uma interpretação do feminino, somos parte do feminino. Nesse sentido queremos contribuir para que a novela de fato possa ser um canal de entretenimento e também educativo diante dessa complexidade que são as identidades de pessoas Trans, população tão vulnerável devido à exclusão provocada pela transfobia. (…) Esperamos assim contribuir e nos colocarmos a disposição para dialogar mais e aproveitar sobremaneira a oportunidade trazida pela autora, mas vimos através da nota expor não um incomodo pessoal, mas de inúmeras travestis por esta entidade nacional representadas Brasil afora! Sigamos na luta pela construção de um Brasil livre da Transfobia!”, também foi escrito pela Associação, na internet.


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