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Atlas mostra quais são as cidades mais violentas de Minas Gerais.


Atlas mapeia as cidades com maior taxa de homicídios no país e indica que, em Minas, as duas regiões metropolitanas concentram sete dos dez municípios com mais assassinatos

Paulo Filgueiras/EM/DA Press - 12/3/15

As duas regiões metropolitanas do estado de Minas Gerais, além de ser polos de desenvolvimento, detêm também uma outra liderança que não tem qualquer motivo para ser comemorada. É o que revelam os números do Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Juntas, a Grande BH e a Região Metropolitana do Vale do Aço reúnem sete das 10 cidades mais violentas em território mineiro (veja arte). Puxam a fila de maiores números de assassinatos e mortes violentas com causa indeterminada as vizinhas da capital Betim (taxa de 65,2 óbitos para cada 100 mil habitantes), Vespasiano (56,5) e Sabará (54,3).

No Vale do Aço está a quarta posição, com Coronel Fabriciano (53). Em quinto aparece a chamada capital do Leste de Minas, Governador Valadares, localizada no Vale do Rio Doce, com 51 mortes por grupo de 100 mil habitantes. Na sequência surgem as demais vizinhas da Grande BH: Contagem, Santa Luzia e Ribeirão das Neves. Os dados se referem a registros de morte computados no ano de 2015.
O levantamento pode ajudar o poder público a direcionar melhor os recursos na área de segurança pública e ranqueou as 304 cidades brasileiras com população acima de 100 mil habitantes. No topo da lista das mais violentas no país está Altamira (PA), com taxa de 107 mortes. Já a mais pacífica é a catarinense Jaguará do Sul, com 3,7. Em Minas, a mais pacífica é Araxá (6,8), que ocupou o quinto lugar nesse quesito no ranking nacional.

Em todo o país foram registrados 59.080 homicídios em 2015 – 28,9 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes. O saldo é bem maior do que o de uma década antes (48.136 assassinatos em 2005), contudo, inferior ao de 2014 (60.474 mortes). A tendência se repetiu em Minas Gerais: os homicídios subiram de 3.646, em 2005, para 4.724 em 2010. Em 2015, recuo para 4.532.

Mas os números não devem ser analisados de modo absoluto. Além da taxa por determinado número de habitantes, é preciso avaliá-los por sexo, renda e cor da pele das vítimas, entre outras variáveis. Quando se leva em conta a faixa etária, em número absoluto o número de jovens mineiros de 15 a 29 anos assassinados somou 2.378 em 2015. Na comparação com o total de homicídios daquele ano (4.532), conclui-se que os jovens corresponderam a 52,4% das vítimas.

Em 10 anos, esse percentual avançou 17,2% em nível nacional. Especialistas concluem que uma das justificativas é a consequência do relacionamento com o mundo das drogas ilícitas, como mortes como retaliação por dívidas não pagas e latrocínios (assaltos seguidos de morte) cometidos por viciados que buscam dinheiro para sustentar o consumo.

“Uma das causas desse quadro é a proliferação do mercado ilícito de drogas nas cidades médias e pequenas, que vieram no rastro do crescimento dos municípios na década de 2000”, disse Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea. Ele acrescentou que o poder público não se preparou como deveria para fiscalizar o Estatuto do Desarmamento – a maioria dos homicídios é cometida com arma de fogo.

NEGROS O balanço nacional mostra que o total de assassinatos subiu 10% de 2005 para 2015. Contudo, quando considerada a cor da pele da vítima, os negros têm probabilidade 23,5% maior de ter a vida ceifada em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de moradia. “A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras”, informou o relatório do Ipea. Em Minas Gerais, a taxa de homicídio por 100 mil habitantes de negros foi de 27,5 em 2015. A de não negros foi abaixo da metade: 12,9. O Ipea não divulgou os dados desse quesito por municípios.

O estudo também levou em conta a quantidade de mulheres assassinadas. No estado, foram 415 há dois anos, saldo maior que o do ano anterior (403). Pela metodologia usada não foi possível avaliar quantos desses óbitos foram crimes de feminicídio – a Lei 13.104, aprovada em 2015, considera como tal o crime hediondo que envolve violência doméstica e familiar ou a discriminação por sexo.

O último parágrafo do relatório do Ipea resume a análise dos dados: “Diante das análises supramencionadas, que mostram uma deterioração, nos últimos anos, no cenário sobre a garantia do direito à vida e à cidadania, fica patente a necessidade de um maior comprometimento das principais autoridades políticas e do campo da segurança pública em torno de um pacto contra os homicídios, em que a coordenação, o planejamento e a boa gestão venham a substituir o proselitismo político vazio, seguido de ações midiáticas que nada resolvem”. Cientista de dados? A Hekima te explica que profissão é essa Patrocinado

Arte EM

 

Mais vítimas que o terror mundial

Todos os atentados terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 não superam o número médio de homicídios registrado no Brasil em três semanas de 2015. Em 498 ataques em vários países, 3.314 pessoas morreram, de acordo com levantamento da Esri Story Maps e da PeaceTech Lab. Já de acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, cerca de 3,4 mil pessoas foram assassinadas no Brasil a cada três semanas em 2015. A comparação foi feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na divulgação do Atlas da Violência 2017.

 

Estado aponta queda em 2017

A Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais (Sesp-MG) informou, em maio passado, que o número de vítimas de homicídios consumados caiu 4,26% no estado no comparativo entre o primeiro quadrimestre e 2016 (1.480) e o mesmo intervalo de 2017 (1.417). Já o recuo no caso de tentativa de homicídio foi de dois dígitos (13,95%) no mesmo período analisado: de 1.821 para 1.567.


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