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Os culpados pela crise hídrica que assola São Paulo


A crise hídrica que atinge São Paulo foge às séries históricas. Segundo pesquisa Datafolha, 60% dos moradores da maior cidade da América Latina ficaram sem água no mês de outubro. Apontar um único culpado para tamanho problema seria ingenuidade, mas é possível identificar alguns responsáveis.

O período chuvoso, que enche as represas, vai de outubro a março, mas a chuva ficou muito abaixo do esperado e as previsões de que os temporais chegariam até o fim do Verão deste ano não se confirmaram. Para se ter uma ideia, dezembro de 2013 teve 62 mm de precipitação, quando a média histórica para os meses de dezembro é de 226 mm, e janeiro de 2014 teve apenas 87,8 mm, enquanto a média histórica é de 260 mm.

“Na região Sudeste não se tem registro de uma estiagem tão severa. É algo muito incomum, como um tsunami ou um terremoto”, alerta Gesner Oliveira, ex-presidente da Sabesp e professor da FGV-SP.

Cientistas relacionam o desmatamento na Amazônia à queda no volume chuvas por aqui.  Isto porque a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. “Está mudando o clima. A gente vê isso acontecendo na Amazônia. Tem muitos trabalhos mostrando que a extensão da estação seca está se prolongando”, revelou Antônio Nobre, pesquisador do Inpa, em entrevista ao Fantástico.

A ausência do consumo consciente, por se tratar de um recurso abundante, somada à falha no processo de alertar a situação aos moradores contribui para agravar o problema. “O sistema foi se depreciando e, agora, há uma redução do consumo também em função da implantação de um bônus para quem economiza. Outro fator é a questão da infraestrutura de reservatórios previstos que, se já estivessem prontos, não resolveriam, mas deixariam a situação menos dramática”, disse o presidente do Conselho Mundial de Água, Benedito Braga, em entrevista ao Zero Hora.

No mês de outubro, 75% dos clientes da Sabesp, na Região Metropolitana de São Paulo, economizaram água, sendo que 50% atingiram o bônus. Desde o dia 1º de novembro, passou a valer nova forma de bônus, que amplia o benefício: quem reduzir entre 10% e 15% terá bônus de 10% sobre a conta; de 15 a 20%, bônus de 20% e de mais de 20%, 30% de desconto sobre o valor da conta.

Sob o ponto de vista dos estados, segundo Gesner, só há três alternativas. “Consumir menos, aumentar a quantidade de estações de reuso e diminuir a perda de água no sistema”. Ainda de acordo com o especialista, em São Paulo o reuso acontece, mas é insuficiente. Já o resto do país precisa despertar para o problema.

A Sabesp negou o pedido de entrevista solicitado pela reportagem e, por meio de nota, informou que  investe R$ 6 bilhões em seu Programa de Redução de Perdas de Água, a maior iniciativa do Brasil nessa área. “O programa realiza a troca de ligações domiciliares, hidrômetros e redes de água. Também são pesquisados vazamentos não visíveis em 150 mil quilômetros de redes, o que equivale ao dobro de extensão de toda tubulação de distribuição de água existente em todos os 364 municípios que são operados pela Sabesp”, diz o documento.

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